Mea Shearim

Segunda-feira

Casamento: 1 + 1 = 1

* 5 Nissan, 5769
- Você já se perguntou o que faz um homem e uma mulher casarem-se? Afinal, casamento não é brincadeira! Com ele, vem a responsabilidade de prover sustento, educar filhos, dedicação ao cônjuge...
Qual é a força de atração que supera todos os empecilhos?
Para o judaísmo, o amor é muito mais que um encontro de corpos e mentes: é um verdadeiro encontro de almas.
A alma, ao descer ao mundo, é dividida em duas metades - uma fica com o homem, outra com a mulher. No período do nascimento ao casamento, as duas partes encontram-se em casas separadas, e muitas vezes em sociedades e países diferentes. No momento predestinado, elas encontram-se. Nosso trabalho é fazer com que encaixem-se perfeitamente.
Existem duas conexões entre um homem e uma mulher casados.
A primeira, uma ligação material, pela qual são ligados todos os casais do mundo. Viver sob o mesmo teto, compartilhar tarefas e vida conjugal. Neste ponto de vista, sempre haverão duas unidades - dois corpos separados, com pensamentos particulares e emoções peculiares.
"Mesmo num casamento "super bonder" de paz e amor, será sempre possível reconhecer que, apesar de inseparáveis, existem ali dois indivíduos."
Porém, o casamento é fruto de uma ligação muito mais profunda e essencial.
Debaixo da chupá (pálio nupcial), duas metades fundem-se em uma alma só. No campo espiritual, não se reconhece que existem ali duas pessoas separadas.
O casamento não é uma sociedade entre duas pessoas. É a união ao pé da letra.
A consciência da ligação interna no casamento é o melhor caminho para assegurar uma vida de paz e serenidade no lar.
Uma ligação apenas material dá abertura a cálculos pessoais, referentes às expectativas e aos desejos de cada lado. Porém, tendo em mente que meu cônjuge é metade de minha alma, não se pode nem chegar a pensar numa vida individual, assim como ninguém abriria mão de uma parte de seu corpo.
"Eu sou sua alma, ele/ela é minha alma, somos duas metades...
enfim, somos um."
Se o casamento é algo tão espiritual e profundo, porque é, então, que os casamentos são comemorados com tanta dança e música?
Mais do que isto, existe uma mitsvá especial de alegrar o noivo e a noiva desta forma, e neste dia é servida uma refeição festiva! Não seriam estas formas muito mundanas para a celebração de algo tão transcendental?
A resposta é: são formas mundanas, sim, e é justamente por isso que as utilizamos.
Neste mundo, espiritualidade não deve ser desconectada de materialidade. Tanto, que a união sublime das almas somente ocorre quando o noivo põe o anel no dedo da noiva sob a chupá.
Não é somente a alma que deve estar alegre por ter se completado para o resto da vida. O corpo também participa desta alegria, na sua maneira de se fazer alegre - através de música, dança e alimentos saborosos.
Na próxima vez que for a um casamento, ou refletir sobre sua própria vida matrimonial, lembre-se que esta não é somente uma ligação entre duas pessoas.
O casamento é a conexão entre dois mundos:
* O mundo material e,
* O mundo espiritual.
E a interseção entre eles forma um dois mais importantes núcleos do judaísmo: o lar judaico.

Sexta-feira

Rabbi Moshê Ben Maimon - O Shabát

* 2 Nissan, 5769
Rabi Moshê ben Maimon (Maimônides) - O Rambam explica o significado do Shabát, comentando o versículo (20:8) do livro do Êxodo:
"Recorda o dia do Shabát..."
Nos seguintes termos ele discorre:
"Tu, seguramente, reconhecestes a razão pela qual as Escrituras insistem, com tanta frequência, sobre a Lei do Shabát, e porque aquele que a transgride é castigado conforme se lê no Capítulo 15:36 do livro dos Números.
O Shabát ocupa o terceiro lugar (O quarto Mandamento), depois da existência de D'us e da negação do dualismo pagão. Aqui, o comando de não servir a outros deuses é meramente uma explicação do primeiro.
Tu também sabes que as idéias só mantém a vitalidade se são confirmadas, publicadas e perpetuadas por certas ações constantemente revividas pelo povo.
Assim, fomos comunicados pela Lei para honrar este dia, e confirmar desse modo o principio da Criação, que se espalhará pelo mundo - quando todos os homens observarão o Shabát no mesmo dia.
Pois quando se pergunta qual é a causa para observar este dia, a resposta é a seguinte:
"Pois (em) seis dias fez o Eterno os céus e a terra", etc. (Êxodo 20:11)
Duas razões diferentes são dadas para esse mandamento, devido a duas motivações também diferentes. No Decálogo, no livro do Êxodo, a seguinte razão é dada para caracterizar o Shabát: "Pois (em) seis dias", etc.
Porem no livro do Deuteronômio Capítulo 15, a razão é a seguinte:
"E lembrar-te-as de que fostes escravo na terra do Egito... Por isso o Eterno, teu D'us, te ordenou observar o dia do Shabát."
Esta diferença no entanto pode ser facilmente explicada.
Na primeira, a causa para honrar e dar distinção a este dia é dada conforme se lê:
"Por isso abençoou o Eterno o dia do Shabát e o consagrou." (Êxodo 20:10) E a causa disto é: "Pois em seis dias..."
Mas o fato de D'us nos ter dado a Lei do Shabát e nos ordenado a observá-la é uma conseqüência de ter-mos sido escravos no Egito, pois então nosso trabalho não dependia de nossa vontade, nem podíamos tampouco escolher o tempo para exercê-lo. E também não podíamos descansar.
D'us, assim, ordenou que nos abstivéssemos de trabalhar no Shabát por dois motivos que aqui se tornam óbvios:
I - Para confirmar que a verdadeira teoria da Criação resulta necessariamente na existência de D'us.
II - Para recordar o bem que D'us nos concedeu ao libertar-nos da escravidão em que sofríamos no Egito.
O Shabát é portanto uma dupla benção, pois o mesmo dá-nos noções corretas, e também promove o bem estar de nossos corpos."
* Fonte: O Guia dos Perplexos, Cap. 31

Segunda-feira

Dr. Tali Loewenthal - Cores na Alma

* 27 Adar, 5769
Por Dr. Tali Loewenthal, Diretor do Chabad Research Unit, Londres UK
- O mundo que D´us criou para nós é muito bonito.
Uma característica especial é cor: o céu azul e mar azul escuro, colinas verdes e marrons, pôr-do-sol vermelho, arco-íris multicolorido e a miríade de outras cores que nos cercam a cada passo em nossas vidas.
Cores também têm um significado espiritual. Uma indicação para esta idéia é a forma com que elas aparecem em nossa leitura da Torá, na descrição da construção do Santuário [1].
O Santuário, cuidadosamente construído por Moisés e o Povo Judeu depois de receberem a Torá no Monte Sinai, foi o protótipo de Templo.
Como o Templo em Jerusalém, com o Santuário criou-se um espaço sagrado, com níveis crescentes de santidade: o Pátio externo; uma câmara fechada onde ficava a Menorah de ouro; a câmara interna, o Santo dos Santos, onde ficava a Arca dourada contendo os dois blocos de safira gravados com os Dez Mandamentos que Moisés tinha trazido de cima do Sinai.
As paredes do Santuário foram construídas de pranchas de madeira recobertas de ouro, fixadas em suas bases por pesados blocos de prata. Estas paredes eram quase totalmente cobertas por uma tenda feita de tecidos especialmente trançados.
Além disso, havia as vestimentas dos Kohanim. A Torá nos fala sobre o que estes tecidos incluíam, em uma lista no início da Parashá desta semana: lã azul, lã púrpura, lã vermelha, linho branco...
* Cores! O quê elas significam?
Os ensinamentos chassídicos explicam que o Santuário não é só uma edificação física, destinada a ser construída de uma forma mais permanente como o Templo em Jerusalém. O Santuário existe também dentro do coração de cada individuo.
Assim, D´us declara na Torá:
"Faça para Mim um Santuário, e Eu habitarei neles" [2].
- O versículo não diz "Eu habitarei nele", no Santuário. Ele diz "Eu habitarei neles", no coração de cada judeu.
Então chegamos à nossa questão:
* Quais são as cores do Santuário do coração?
* Quais são as cores na alma?
Assim explica o assunto o Rabbi Yosef Yitzhak Schneersohn, o sexto Lubavitcher Rebbe [3]:
"Azul expressa nosso temor pela infinita grandeza do Divino. Todos os imensos universos descritos pelos astrônomos não são nada comparados com D´us, que é o Infinito ilimitado, além do mundo.
Esta idéia introduz um sentimento de temor: Azul."
Já os cabalistas nos dizem que a mesma idéia pode provocar um sentimento diferente, uma sede apaixonada de nos conectarmos com D´us, além do mundo, além da própria vida, um amor ardente por D´us: Vermelho .
A combinação destes dois sentimentos, amor ardente e temor, leva a um sentimento de quão pequenos nós somos, uma consciência de quão lamentavelmente pouco estamos à altura da infinita grandeza de D´us.
Desta perspectiva, nós olhamos para os nossos próprios seres com Misericórdia, como se fosse de uma altura remota:
"Pobre pequeno ser,
tão perdido em pensamentos somente sobre seu próprio ego..."
Esta mistura de azul e vermelho produz o Violeta .
Existe ainda um outro tipo de amor por D´us. O amor ardente além do universo, mas amor que flui como água pura, consciente da proximidade íntima e carinhosa de D´us e do amor de D´us por nós.
Este caloroso sentimento de amor e de bondade amorosa é Branco .
Estas são as cores na alma, as emoções com as quais nos relacionamos com D´us, em nosso próprio Santuário interior:
Azul,
Vermelho,
Violeta,
Branco...
* Referências:
1. Shemot capítulos 25-27. 2. Shemot 25:8. 3. Baseado em um discurso do Rabbi Yosef Yitzhak Schneersohn, 5708, pp. 141-145.
Tradutor: Moishe (a.k.a. Maurício) Klajnberg

Quarta-feira

Rabi Yitschac de Berditchev - Olhe para si mesmo

* 22 Adar, 5769

Talmud - Tratado Bava Metzia
"Primeiro corrija a si mesmo, e então poderá corrigir os outros,
(Bava Metzia 107b)."
- Rabi Levi Yitschac de Berditchev declarou: "Quando percebi que os habitantes da cidade não estavam levando minhas palavras em consideração, comecei a examinar minhas próprias ações.

Então notei que os membros de minha própria família não estavam se comportando com respeito à minha pessoa.

Intensifiquei a busca em minha alma, e pela graça de D’us, descobri vários defeitos em meu caráter, e que a atitude dos outros para comigo era falha minha, não deles.

Comecei então a fazer esforços para aperfeiçoar-me.

Aos poucos, as atitudes de minha família mudaram, e então os habitantes da cidade começaram a me ouvir."

Como são sábias as palavras do Talmud.

"Se você deseja influenciar os outros,
comece por fazer mudanças em si mesmo."

Quinta-feira

Mitsvot - Que não me fez Mulher...

* 16 Adar, 5769
* Republicação de artigo postado em 13 Sivan 5768 (16/06/08)
Beit Chabad - Mitsvot Especiais da Mulher
- Entre as inúmeras Bênçãos Matinais, Brachot Hashachar, uma delas é pronunciada apenas pelos homens e gera muita polêmica e interpretações equivocadas. Como as demais brachot, ela possui a mesma estrutura ou seja:
"Bendito seja D’us, Rei do Universo, que …",
"…SheLo Assani ishá"…
"que não me fez mulher".
Pronto! Há mulheres que ficam indignadas, sentindo-se ofendidas, até ultrajadas, e homens constrangidos com tal declaração.
No entanto, não devemos nos impressionar ou sermos levados pelas aparências ou por interpretações pessoais.
Qualquer um familiarizado com a alta estima na qual a mulher judia é tida na Torá e com o lugar o qual ocupa na vida judaica, não será ingênuo a ponto de pensar que esta bênção reflete algo negativo sobre a feminilidade judaica.
* Os mandamentos possuem um sentido mais profundo.
Durante a era da profecia houve sete profetisas mencionadas pelo nome no Tanach, e nota-se na Torá que Sara foi, em certos aspectos, até superior a Avraham, pois D'us disse a Avraham:
"Tudo o que Sara te disser, ouve-a."
Sem mencionar outros fatos ocorridos em nossa história que engrandecem e colocam a mulher em um nível superior e ímpar na vida judaica.
Por natureza, a tarefa do homem é ser provedor, enquanto a mulher tem que dividir seu dia entre administrando a vida do lar, educação de seus filhos, e de toda a família com paciência e extrema competência, com todas as qualidades que a Divina Providência tão generosamente lhe conferiu.
Hoje aliada ao exercício da vida profissional, para muitas, exige ainda mais disciplina e perfeita estratégia para que não haja falhas em seu planejamento; e ela já se cobra muito de si mesma.
A Torá, justamente por este motivo, eximiu a mulher judia da obrigação de cumprir certas mitsvot.
"Apesar da mulher judia estar igualmente obrigada, como o homem, a cumprir todas as proibições da Torá, os mandamentos proibitivos (e estes são a maioria - 365 "não faças" para 248 "faça")."
- Entretanto, no que se refere aos mandamentos positivos, a mulher judia está isenta do cumprimento de alguns deles (de modo algum, não todos), principalmente os que têm um fator tempo ou limite, em consideração aos seus importantes deveres conjugais e maternais, aos quais a Torá dá precedência.
"Neste aspecto, portanto, a mulher judia é antes "privilegiada."
Assim sendo, o homem judeu, a quem não foram concedidos os privilégios especiais, tem a seu favor a oportunidade de estar estreitar seu relacionamento com D'us mais frequentemente pelo cumprimento daquelas mitsvot das quais a mulher está isenta.
Esta não é uma compensação pequena e é por esta razão - pela oportunidade de servir a D'us com estes preceitos adicionais - que o homem recita a bênção "que não me fez mulher".
Sob o ângulo feminino, toda mulher judia deve estar consciente de ter sido dotada de uma maior sensibilidade que permite estabelecer uma conexão com D’us de forma direta e profunda.
Sob este prisma, sua natureza é mais uma vantagem, um ponto a seu favor.
O fato de D’us tê-la isentado de certas tarefas mostra todo apreço que Ele dedica ao seu papel essencial dentro do povo judeu e na garantia de sua continuidade.

Segunda-feira

Beber até rolar... Uma Mitsvát de Purim?

* 13 Adar, 5769
- Bem, não faço parte de nenhum clube de Alcoólicos Anônimos nem corro em defesa da "lei seca" a ser aplicada a todos. Inclusive admiro quem se abstém ou procura ajuda para controlar este impulso incontrolável de recorrer ao vício, vício este que ao invés de salvá-lo somente produzirá uma sensação temporária de alívio e doce (mais tarde, amarga) alegria.
A bebida e o ato de beber no judaísmo é apenas um canal para estabelecer e estreitar o elo de conexão com D'us.
O kidush, a prece recitada sobre o vinho, é realizada para santificar o Shabat e dias festivos. Um "lechayim" (brinde à vida), é sempre levantado em ocasiões felizes e especiais ao compartilharmos elas com nossos familiares e amigos.
Entretanto, há uma ocasião especial, que é a festa de Purim, quando então a bebida passa a ser um elemento essencial para cumprir a mitsvá de alegrar-se, de confundir imagens e personalidades, de não conseguir mais distinguir entre o bem e o mal, o certo e o errado.
"Mas será que é correto embriagar-se quando tentamos sempre agir o mais sobriamente possível ao nos conectarmos com o Criador? Será que beber até rolar, é uma mitsvá de Purim?"
Muitos de vocês já podem ter assistido a cenas que colocam em dúvida se este preceito é uma lei ou apenas um costume. Como alguém tão distinto e comportado repentinamente pode transformar-se e mudar completamente?
Afinal sabemos bem sobre a transformação de comportamento de quem bebe, e isto nos arremessa a uma visão, a um "resquício" da cultura pagã e pode influenciar negativa e erroneamente algumas interpretações ou opinião na mente de quem assiste a esta metamorfose. Além disto, você poderá afirmar que a bebida, além de danificar o tecido cerebral, rins e fígado, através da ingestão de grande quantidade de álcool é um conhecido carcinógeno, bem como fator causador de doença cardiovascular.
Será que não existe uma única exeção a esta regra e sob nenhuma circunstância é aceitável ficar-se bêbado até não saber mais a diferença entre "Mordechai e Haman", como é o caso de Purim?
No entanto, o ditado "uma pessoa é obrigada a beber em Purim até não saber mais a diferença entre 'amaldiçoado seja Haman' e 'abençoado seja Mordechai'" não é um costume, mas uma Halachá, lei estabelecida pela Torá e não um caso de interpretação.
O significado dessa declaração de Ravá, um dos maiores Sábios do Talmud, é claro e insofismável: Ravá está dizendo que o judeu é obrigado a ficar bêbado em Purim, na medida em que sua razão fique incapacitada, ao ponto de não conseguir mais distinguir entre o mal de Haman e o bem de Mordechai.
A pergunta não é o que Ravá quis dizer, mas se o Talmud contém ou não uma outra opinião, contrária à de Ravá. Muitos de nossos grandes legisladores seguem a ordem de Ravá entre os quais Maimônides que escreve: "Qual é a obrigação da Festa de Purim? De que a pessoa deveria comer carne... e beber vinho até ficar bêbado e cair no sono."
O Rif, Rosh, Tur e Shulchan Aruch, todos citam o dito de Ravá. O Ramá, por outro lado, comenta que "há outros que dizem que a pessoa não precisa ficar bêbada deste modo, mas que deve beber além do que é seu costume." O Ramá conclui:
"Se a pessoa bebe mais ou menos,
o principal é que sua intenção seja por amor aos Céus."
* Resumindo: todas as autoridades haláchicas são unânimes em dizer que é mitsvá beber em Purim, embora haja diferenças de opinião sobre se a obrigação é ficar tão bêbado como Ravá recomenda ou em menor grau.
De qualquer jeito, o conceito de ficar embriagado em Purim ao ponto da razão tornar-se totalmente obliterada é uma legítima posição haláchica, o que requer entendimento e validade, independente do fato de se é ou não aceito ou realizado na prática. Certamente uma opinião haláchica aceita por Rava (séc. III, Babilônia), Maimônides (séc. XII, Egito) e o Tur (Rabi Yaacov ben Asher, séc. XIV, Espanha), não é o resultado de confraternizar demais com camponeses embriagados.
Como, de fato, reconciliaremos essa Halachá com nosso entendimento do tipo de vida que a Torá nos manda levar? Sem considerar os problemas de saúde (não conheço nenhum médico que diria que beber muito apenas uma vez ao ano causa dano significativo ou permanente ao corpo humano), pode o judeu permitir-se relaxar o controle sobre seu comportamento por um único momento?
"Durante 364 dias ao ano, nossa mente deve exercer completo controle sobre as emoções e comportamento, a fim de que os instintos animais em nós existentes sejam contidos para não nos tornarmos incontroláveis ou agressivos sem medir nossos atos."
Além disso, precisamos da mente não apenas como um guardião e regulador, mas também como canal apropriado para expressar nosso mais alto potencial.
É a mente que permite nos manter e aplicar nossa vida ao serviço Divino; reconhece a bondade e conveniência em certas coisas e o mal e perigo em outras, assim guiando, desenvolvendo e aprofundando nossos afetos e aversões, nossas alegrias e medos.
Mas há um dia ao ano no qual desfrutamos acesso imediato e direto a verdades ocultas. Esse dia é Purim. O judeu que se alegra nesta ocasião - se alegra na sua ligação inequívoca com D'us. Não precisa mais racionalizar sobre a diferença entre "amaldiçoado seja Haman" e "abençoado seja Mordechai". Ele simplesmente coloca a sua mente para dormir por algumas horas, permitindo que seu "eu" verdadeiro aflore.
Neste Purim você verá pessoas que beberão até atingir o esquecimento cognitivo. Verá expressões de alegria extrema e sem rédeas desinibidas pela centelha Divina que existe dentro de cada um e que neste momento, como expressão da essência mais pura da alma humana, tem prioridade.
Você não precisa "rolar", mas que tal um lechayim neste Purim?!

Domingo

Mashiach - Bitul (I)

* 12 Adar, 5769
- Por que Mashiach — o Redentor — tem de ser um rei? Se bem que Mashiach possa também ser um profeta ou um sábio, enfatizamos sua condição de rei.
Lógico que, durante séculos, o supremo governante entre os homens era chamado de rei. Mas por que necessitamos de um rei, mesmo para uma meta tão nobre como a Redenção?
Talvez convenha examinarmos o conceito de realeza.
Como rei, Mashiach não depende de ninguém mais. Um rei faz as leis, mas não está sujeito a elas: ele não paga impostos, tem o direito de executar criminosos, etc...
Num certo sentido, um rei é a lei em si mesmo, tendo de responder somente por suas próprias decisões, seu próprio sentido de justiça e de bondade.
Por certo, um rei também tem certas obrigações, tais como administrar as leis com eqüidade e isenção, proteger os cidadãos, assegurar liderança, orientação e inspiração.
Um rei tem responsabilidades para com seus súditos; se é para ele ser rei de verdade, é preciso que ele aceite estas obrigações completamente e inequivocamente, que se entregue inteiramente a essas obrigações. E esses deveres fazem mais do que restringir a liberdade real, por assim dizer: eles o forçam a anular a sua individualidade, a sublimar a sua personalidade em função de suas responsabilidades.
O rei não pode tirar férias; precisa estar sempre à disposição das necessidades de seu povo. Precisa por de lado seus desejos em função das necessidades de seus súditos, ignorar os seus desejos em prol do que seus súditos exigem.
Assim, por um lado, Mashiach, um rei, fica afastado da população; por outro lado, ele se empenha totalmente, de todo coração, pelas necessidades de seu povo, sem arrogância ou vaidade, literalmente, ele se entrega ao seu povo.
A própria palavra “Mashiach” sugere esta natureza dual do Redentor, eis que significa — literalmente — “ungido”.
Ser ungido significa ser dedicado a algo que está além da pessoa, dedicado a uma tarefa, designado para uma função — mas, seja lá como o expliquemos, a pessoa recebe uma unção. Condição especial, privilégios especiais, ambos transformam e transcendem a pessoa, permanecendo com o “ungido” somente na medida em que não lhe pertençam.
* Antes, é o ungido que pertence à responsabilidade.
"O poder e a autoridade verdadeiros podem, então, provir somente — e paradoxalmente — da anulação do ego."
Diz-nos a Torá que Moisés foi o mais humilde de todos os homens — e, mesmo assim, conversou com D’us face a face! Mas este é o ponto — visto que Moisés era o mais humilde, o homem que mais se auto-anulava, precisamente devido a esta razão ele foi digno de falar diretamente com o Todo-Poderoso.
Isto, claro, se aplica à vida em geral: quanto mais nos envolvemos em algo, menos consciência temos de nosso próprio ser. Nossa capacidade de fazer, de realizar alguma coisa, parece ser diretamente oposta à nossa autoconsciência, nosso ego.
Quando estamos nos esforçando, desempenhando, buscando atingir uma meta, o sentido de “Eu sou” desaparece.
Em hebraico, este conceito de anulação do próprio eu é chamado de “bitul”. Quanto mais bitul, quanto mais concentrarmo-nos na tarefa, mais sucesso teremos.
Então, Mashiach exemplifica este paradoxo: de imediato, o homem mais dotado de conhecimentos, o mais poderoso dentre todos eles, ele também será o mais humilde, o que mais se doará, o que melhor compreensão terá, e o menos voltado para seu próprio eu ele será.
Mashiach será o governante e o juiz ideal, exatamente porque não tem interesses disfarçados, nenhuma outra identidade a não ser aquela pela qual D’us o escolheu — trazer a Redenção.
Fonte: Ad Matai!

Sexta-feira

Shabat - Vocação dá em árvore.

* 10 Adar, 5769

* Republicação de artigo postado em 13 Av 5767 (28/07/07)

Por Rabino Iehiuda Guitelman, Centro Israelita PoA - RS

- Existia um jardim cheio de macieiras, laranjeiras, parreiras e belíssimos roseirais.
Tudo era felicidade e alegria, exceto por uma árvore que estava profundamente triste sempre.

Ela tinha um problema , não sabia quem ela era, nem o que tinhaque fazer (qual a sua função) no jardim.

A macieira todos os dias dizia à tal árvore que fazer maçãs era muito fácil.

Por que ela não tentava?

"Não escuta ele, dizia o roseiral.
As rosas são melhores.
Olha como elas são bonitas."
E a árvore, desesperada, tentava o que lhe sugeriam, mas como não conseguia, cada vez mais se frustrava. Um dia, chegou ao jardim uma coruja, a mais sábia de todas as corujas, e ao saber do desespero da árvore exclamou:
"Não fica preocupada, o teu problema não é tão grave assim. Vou te ensinar uma nova possibilidade: não dediques tua vida a ser como os demais querem que tu sejas, procura ser tu mesmo, te conhecendo e escutando tua voz interior. Ele te dirá qual é a tua vocação."
E assim que ele terminou de falar, a coruja sumiu.
"Minha voz interior?

Ser eu mesmo?

Me conhecer?",

perguntava-se a árvore desesperada, quando de repente entendeu, e fechando seus olhos e ouvidos, conseguiu abrir seu coração e escutar sua voz interior lhe dizendo:

"jamais conseguirás dar maçãs, nem rosas. Tu és uma árvore cujo destino é crescer forte e majestosa. Dar abrigo às aves, sombra aos viajantes, beleza à paisagem. Essa é tua vocação".
Com estas palavras, a árvore sentiu-se forte e muito mais disposta a cumprir seu destino. Assim, cresceu e foi admirada por todos. E só então o jardim foi completamente feliz.
Quantos são como esta árvore, e não se permitem crescer?
Quantos são roseirais, e por medo ao desafio só dão espinhos? Quanta energia é desperdiçada?
Na vida, todos temos uma tarefa a realizar, e para cumpri-la usamos de talentos diversos.
- Aquelas coisas que nos apaixonam, nos enchem de entusiasmo, aquelas para as quais sentimos termos nascido.
Victor Hugo dizia que não há nada mais poderoso que uma idéia que chega no momento de ser executada. Tenho certeza que se estas palavras conseguem ecoar, de alguma maneira, em cada um de vocês.
Shabat Shalom!

Quarta-feira

Pirkê Avot - Capitulo V (Estudantes)

* 8 Adar, 5769
* Republicação de artigo postado em 19 Elul 5767 (2/09/07)
Beit haMidrash Whitefield Sinagogue, UK
- Quanto aos estudantes, estes dividem-se em quatro grupos, sejam eles:
* Uns frequentam as escolas mas não estudam;
Tem contudo, o mérito da assiduidade.
* Outros estudam sozinhos mas não frequentam as escolas;
Estes tem o mérito de haver trabalhado.
* Há os frequentam as escolas e trabalham com zelo;
São as pessoas devotas.
* Existem ainda os que não ouvem as lições do mestre e nem fazem mais nada;
Estes sem duvida alguma, são os Ímpios.
- Os estudantes ainda dividem-se nas seguintes quatro categorias quando estão ouvindo as lições do seu mestre. Podem ser então comparados:
* À esponja,
Absorvendo tudo.
* Ao funil,
Deixando sair por um lado o que recebeu do outro.
* Ao filtro,
Deixando sair o vinho e retendo a barra.
* À peneira,
Liberando a passagem da poeira e guardando a boa farinha.
* Fonte: Pirkê Avot, V

Terça-feira

Rabino Kalman Packouz - Qual o segredo da Felicidade?

* 7 Adar, 5769
- Conta-se a seguinte história: Um professor pediu à sua classe de jovens alunos para fazer uma lista das 7 Maravilhas do Mundo. Conforme recolhia as folhas do teste, constatou que os nomes mais citados eram:
I - As Pirâmides do Egito,
II - O Taj Mahal,
III - O Grand Canyon,
IV - O Canal do Panamá,
V - O Empire State Building,
VI - A basílica do Vaticano e
VII - A Grande Muralha da China.
Entretanto, uma garotinha estava relutante em entregar sua folha. O professor então lhe perguntou o que ela achava serem as 7 Maravilhas do Mundo.
A menina respondeu, um pouco hesitante:
I - Tocar,
II - Saborear,
III - Ver,
IV - Ouvir,
V - Sentir,
VI - Rir e
VII - Amar!
A propósito, vamos a uma das perguntas mais questionadas da história da humanidade:
"Qual é o Segredo da Felicidade?"
Felicidade é o prazer que sentimos ao apreciar aquilo que possuímos: é encarar o copo como estando ´metade cheio´.
Consta no Pirkei Avót (Ética dos Pais): "Quem é o homem rico? -- Aquele que é feliz com sua porção".
Havia um ditado inspirador muito comum durante a Grande Depressão americana, no começo do século XX:
"Estava triste por não ter sapatos para calçar, quando vi um homem que não tinha pés".
A Felicidade não depende de aquisições materiais. Existe um monte de pessoas que têm tudo aquilo que você deseja e não são felizes.
Muitas pessoas pensam que Felicidade é um acontecimento: "Somente se tal e tal acontecer, serei feliz". Entretanto, a felicidade não é um acontecimento, é um estado de espírito, um estado do ser. Nossos Sábios dizem "Aquele que tem cem quer duzentos" e "Uma pessoa não morre com metade de seus desejos realizados". Cada um tem que trabalhar sobre o seu modo de encarar a vida para poder ser feliz.
De acordo com a Torá, a Felicidade é uma obrigação. Uma obrigação para com aqueles que estão ao nosso redor. Da mesma forma que não gostaríamos de ter pais, filhos ou esposo/a infelizes, não sejamos nós um deles.
Na Torá, no livro Devarim (28:47), consta que a felicidade é também uma obrigação em relação ao Todo-Poderoso: mesmo servindo ao Criador, se o fizermos sem alegria, Ele irá nos cobrar por não agirmos com contentamento.
* A Felicidade dá trabalho.
Se quisermos ser felizes, então joguemos o ´Jogo da Felicidade´ por 30dias. Eis o jogo: façamos uma lista de todas nossas bênçãos, tanto físicas como espirituais. Acrescentemos, então, uma alegria nova por dia, durante 30 dias.
Ao final deste período, priorize esta lista de acordo com o que é mais importante para você (Você valoriza mais seus olhos ou seus ouvidos? Seu trabalho ou suas pernas?). Toda vez que algo acontecer ou se sentir triste, revise a sua lista.
"Se não aprecia o que tem, não existe propósito em adquirir mais nada. Você não irá gostar das coisas novas, também."
Num nível espiritual mais elevado, se reconhecermos que o Todo-Poderoso nos ama, poderemos compreender que tudo o que temos visa o nosso bem, serve para ajudar a desenvolver nosso caráter, a nossa confiança em D´us e nossas características espirituais.
Se tivermos este amor por D´us e uma verdadeira confiança Nele, isto seguramente nos ajudará a apreciar o que temos.
* Mas, afinal de contas, para que precisamos de felicidade?
A resposta é: ela nos dá energia e forças para viver. Pessoas felizes são mais saudáveis, sentem-se melhor e conseguem realizar mais. Estimar e valorizar o que temos ajuda a nos manter otimistas em relação ao futuro, o que certamente nos ajudará a ter sucesso!

* AishHáTorá.com