segunda-feira

MASHIACH - Toda a carne verá

* 24 Adar II, 5768
* Rebe Menachem Mendel Schneerson - O profeta Isaías, ao descrever a Era Messiânica, declara:
A glória de D’us será revelada e toda carne verá que a boca de D’us fala”
Uma bela afirmação poética, mas o que significa ela? Como é que isto explica como será a Redenção?
Vamos fazer duas perguntas simples:
* O que fala D’us?
* Por que D’us fala?
Obviamente, D’us não tem uma boca física, assim sendo não estamos falando de palavras físicas. O profeta está usando uma metáfora, exprimindo em termos humanos que nos tempos de Mashiach o povo verá que D’us Se comunica.
- Mas o que é que D’us comunica?
Quando nos comunicamos, quando trocamos idéias, sentimentos, metas — estamos revelando uma parte de nosso íntimo, a autêntica realidade do que somos. Assim, quando D’us Se comunica, Ele está revelando uma parte de Seu íntimo, que, na verdade, é a única realidade, a única existência verdadeira.
Interessante: a Torá descreve o processo da Criação como D’us falando:
“Disse o Senhor, haja... e houve”.
A Criação é um ato de D’us falando, comunicando-Se. A Criação consiste nas palavras de D’us.
Assim, D’us fala para criar, e para manter a Criação. D’us precisa constantemente fazer com que toda a Criação venha a existir a partir de um estado de total inexistência; se D’us parar de falar (assim por dizer) a existência cessa de ser.
Mas, neste exato momento, não temos consciência de que D’us está falando, de que, nas palavras do livro de orações, todos os dias Ele renova constantemente a obra da Criação. Não vemos D’us falando, e assim não ouvimos o que Ele está dizendo.
Esta é a diferença entre os tempos de Mashiach e agora: não sentimos hoje que estamos sendo constantemente criados. Temos um senso de independência. (Isto explica por que as pessoas podem ignorar ou negar D’us: elas não “ouvem” D’us dizendo, a todo instante: “Haja”).
* Por que hoje não “ouvimos” D’us?
* Por que não temos plena consciência de que toda a existência depende da contínua comunicação de D’us, de uma parte de Sua essência?
- Podemos responder a isto com uma analogia: já ouviu alguma vez alguém falar numa língua estrangeira, uma língua você não compreende? Ou, acaso você já leu um poema sem conseguir entender o que o autor queria dizer? Tal é a nossa condição, hoje.
A analogia também nos remete à solução: se quisermos entender uma língua estrangeira, ou apreciarmos a beleza interior e o significado do poema, temos de aprender as regras do idioma ou da poesia: teremos então de extrair ou de decodificar o significado, a essência inserida nas palavras.
D’us nos deu um “dicionário”, um “livro de regras” com o qual decifrar, dar um sentido a — tomarmos consciência de Suas palavras e de seu significado. Chama-se Torá. Estudando a Torá e obedecendo aos seus mandamentos, estaremos revelando o sentido subjacente às palavras de D’us, isto é, a Criação.
"Quando Mashiach vier, teremos dominado a linguagem, visto as belezas ocultas do poema. Ou, nas palavras de Isaías citadas anteriormente, a glória de D’us será revelada."
Isto significa que veremos, com nossos olhos físicos, que a essência íntima de tudo é D’us e nossa existência inteira é uma contínua Criação.
- Ao nos darmos conta disso criaremos verdadeira harmonia e paz, e daremos um fim à miséria humana. Pois, quando a presença de D’us está escondida, quando não compreendemos as palavras, então poderemos nos enganar pensando que somos independentes, e disso provém a arrogância, a negação e, até, o fato de abusarmos de nossos semelhantes. Quando, porém, estamos todos cientes e pudermos sentir, fisicamente, a sublime presença de D’us, então virá a paz, porque então a comunicação será compreendida — e mais: apreciada. A verdade da Criação — as palavras de D’us — será revelada abertamente.
Este é o tempo de Mashiach.
* Fonte: Ad Matai!

sexta-feira

Yanki Tauber - Kipá o tempo todo

* 29 Adar II, 5768
Erev Shabat
* por Yanki Tauber -
- Desejo fazer uma confissão: Eu uso kipá. E não somente na sinagoga, mas o tempo todo. Até mesmo em situações sociais.
Não costumava fazer isso antes. Na verdade, durante os primeiros 36 anos de minha vida, eu somente a usava na sinagoga. E mesmo assim era uma raridade.
O fenômeno da mudança de "kipá nunca" para "kipá todos os dias" é registrado mais indelevelmente pelas reações que você recebe dos amigos, família e colegas de trabalho. Estas reações variam de "Por que está usando isso? É algum tipo de feriado judaico outra vez?" a "Ele é um fanático!" até "Ele usa isso para esconder a falta de cabelo no alto da cabeça!" (Eu gostaria de ter pensando nisso quando minha careca ficou evidente pela primeira vez há quinze anos!)
Porém minha reação favorita e mais sutil veio de um colega cujos olhos dardejaram entre minha kipá e eu pelo menos umas cinquenta vezes durante uma conversa de cinco minutos.
- Um dilema marcante deste recém-descoberto "kipadismo" vem quando se confronta a primeira situação no trabalho usando o "tradicional boné judaico," como um colega de trabalho o descreveu. Isso envolve encontrar-se com alguém fora da sua atual empresa e portanto, fora do grupo que assistiu à sua transição gradual de indivíduo secular para religioso, e que fez todas as perguntas sobre suas novas práticas e parece realmente interessado nas respostas.
Agora você está se aventurando além da zona de segurança, até a fronteira final. Kipá ou não kipá? Esta era a questão.
Para mim, este "primeiro contato" veio por ocasião de uma entrevista para um novo emprego. O que tornou tudo ainda mais difícil é que este era um emprego que eu realmente queria! Em outras palavras, havia muito em jogo, profissionalmente falando. Portanto, agora eu tinha que fazer uma opção.
"A pessoa não tem de usar uma kipá para trabalhar se isso prejudicará seu cargo de maneira negativa. Então, eu tinha um "álibi" se desejasse.
Mas eu deveria aceitá-lo?"
Sempre que tenho estas profundas dúvidas morais, consulto minha mulher. Ela não apenas é mais inteligente e mais bonita que eu, como também muito mais sábia. Como sempre, ela teve uma reação brilhantemente perspicaz. "Bem," disse ela, "se você está com medo de que seu chefe em potencial possa não gostar de judeus ou pessoas religiosas em geral, é melhor descobrir no estágio da entrevista que depois de você começar a trabalhar para eles."
E com isso, a decisão estava tomada. Eu usaria a kipá.
- Testando o campo
Cheguei à entrevista alguns minutos adiantado e fui até o toalete dos homens para checar minha roupa. Eu parecia o mesmo de minhas outras entrevistas de emprego. Exceto pela adição circular no topo da cabeça. Minha kipá era de bom gosto, mas era também uma declaração. Uma GRANDE declaração. Portanto, de pé ali no toalete, hesitei por um momento e pensei: "Você ainda pode tirá-la."
Mas então percebi que não usar minha kipá seria uma declaração ainda maior. Uma declaração que negava aquele que sou. Um judeu. Um judeu religioso. Portanto, para mim, entrar sem uma kipá seria uma declaração de que sou menos que totalmente comprometido com aqueles ideais sobre os quais baseio minha vida. Portanto, fui - com a kipá de bom gosto e tudo.
O homem que me cumprimentou sorriu e apertou minha mão. Nada de olhares indo da kipá para mim, nenhum queixo caindo até o chão como ocorre nos desenhos animados. Simplesmente um simpático "Como vai?"
Logo no início da entrevista, ele me perguntou: "Quais são suas paixões?"
"No trabalho ou na vida em geral?" perguntei.
"Na vida em geral" - replicou ele.
Pensei por uma fração de segundo. Eu deveria ser realmente honesto? Deveria contar-lhe o que realmente anima e motiva minha vida? Ou deveria eu dar-lhe a resposta padrão comercial que "um trabalho bem feito e sacrificar-me pela companhia é o que me faz vibrar"?
Optei pela primeira. Achei que, ora bolas, ele já tinha visto a kipá. Eu poderia ser franco. Vamos lá.
"Minhas paixões são D'us, família, comunidade e trabalho.
Nesta ordem."
Tentei suavizar o golpe. "Provavelmente, não é bem isso que um gerente deseja ouvir! Mas não me entenda mal. Trabalho muito e levo meu emprego a sério. É apenas uma questão de prioridades."
Esperei sua reação; qualquer sinal de choque ou desapontamento visível. Nada. Ele simplesmente sorriu e continuou a entrevista. "Quais são suas paixões?"
Nós realmente nos demos bem, e o restante da entrevista foi ótimo. Mas eu não conseguia deixar de perguntar-me o que ele achara de minha resposta àquela primeira pergunta. Ao final da entrevista, ele indagou se eu tinha quaisquer perguntas a fazer.
"Somente uma" - disse eu. "Quais são suas paixões na vida?"
(Quando mais tarde contei a meus amigos que lhe perguntara isso, eles ficaram tão chocados como se eu tivesse perguntado se ele usava ceroulas ou shorts.)
"Bem" - disse ele sorrindo. "É engraçado. Quando ouvi você responder àquela pergunta, senti como se estivesse ouvindo eu mesmo responder."
Consegui o emprego pouco depois.
- Tomar uma posição
No fim, ir à entrevista com uma kipá e responder as perguntas de maneira honesta mas não politicamente correta não foi um ato heróico. Meus sogros, que sobreviveram aos campos de concentração nazistas, meu pai que voou em mais de cinquenta missões de combate durante a Segunda Guerra - estes foram os verdadeiros heróis.
Porém, minha declaração fora corajosa.
Defendi algo em que acreditava.
Tornou-se claro para mim que, se sou um judeu religioso apenas em particular, então, o que sou, na verdade? Se jamais defendo algo, não represento nada.
De fato, talvez tenha sido justamente pela minha kipá e pelas minhas palavras nas quais eu defendia alguma coisa, que eu tenha me destacado dos outros candidatos e conseguido o emprego.
* Fonte: Beit Chabad

quarta-feira

Yaakov Paley - Livros que revolucionaram o mundo

* 19 Adar II, 5768
- Por Yaakov Paley - Suponho que cada um de nós tenha seus próprios candidatos para livros que nos mudaram e nos ensinaram a ver o mundo de maneira um pouco diferente.
* Minha escolha seria a Hagadá, o livro que os judeus em todo o mundo estarão lendo em Pêssach, a história do Livro de Shemot que relata como nossos ancestrais, há 33 séculos, foram libertados da escravidão e começaram aquilo que Nelson Mandela chamou de "a longa caminhada para a liberdade". Obviamente, não apenas o lemos, nós o revivemos, comendo o pão ázimo da aflição e as ervas amargas da opressão, e tudo isso tem início com perguntas feitas por uma criança.
E embora pensemos nela como uma história judaica, foi adotada por outros como sua. Quando os americanos conseguiram conquistar sua liberdade dos ingleses, Thomas Jefferson comparou-a ao Êxodo. Quando os afro-americanos marcharam pela liberdade, cantaram as palavras de Moshê: "Deixe meu povo ir." É uma das grandes narrativas de esperança e realmente ajudou a mudar o mundo.
* Por quê?
Porque foi a primeira vez que a religião entrou na situação humana como uma voz revolucionária. As religiões do mundo antigo, como seus substitutos seculares de hoje, eram justificativas do status quo. Explicavam por que os ricos e poderosos tinham de ser ricos e poderosos.
* O Êxodo disse o contrário
O poder supremo entra na história para resgatar os indefesos. O D'us de toda a humanidade nos pede para garantirmos liberdade e dignidade para todos os seres humanos. Acima de tudo Ele nos ordena a amar o estrangeiro, porque nossos ancestrais certa vez foram estrangeiros numa terra que não era a deles.
- O que me assombra neste Pêssach é como a humanidade está se saindo mal no Século XXI. A religião ainda hoje está sendo usada como uma desculpa para a violência e derramamento de sangue.
Mesquitas, sinagogas, templos hindus e santuários budistas ainda são atacados. As pessoas ainda odeiam em nome do D'us do amor, matam em nome do D'us da vida, e praticam a crueldade em nome do D'us da compaixão. Pergunto-me se o próprio D'us não chora ao ver as maldades cometidas em Seu Nome.
Pêssach tem início com estas palavras:
"Este é o pão da aflição que nossos ancestrais comeram no Egito. Venham todos que estão famintos e comam."
A liberdade começa quando partilhamos nosso pão com outros. Uma história simples, porém ainda com o poder de mudar o mundo.

segunda-feira

Aron Moss - Judeus são Impopulares?

* 16 Adar II, 5768

"Sou o único judeu num raio de quilômetros da minha casa. Não é fácil ser parte de uma minoria. Às vezes, me pergunto se vale a pena ser diferente. Uma pergunta que meus vizinhos não-judeus fazem e que não consigo responder: “Por que seu povo tem sido tão impopular no decorrer da história e no mundo inteiro?” O que devo dizer a eles?"

- Por Rabino Aron Moss www.algemeiner.com - Desde os tempos antigos até hoje, o judeu é um dissidente, uma voz que vai contra a norma aceita. E isso não granjeia popularidade.
Tudo começou com Avraham.
Ele foi o primeiro judeu, conhecido como Avraham, o Hebreu. O próprio nome hebreu signfica separatista, aquele no outro lado. Quando o mundo inteiro diz uma coisa, o hebreu diz o contrário.
Toda a humanidade estava adorando ídolos. Avraham adorava o D’us único e invisível do céu e da terra. As pessoas pensavam que podiam exigir aquilo que queriam dos deuses; Avraham ensinou que D’us exige bondade das pessoas. Até quando o mundo inteiro firmou pé de um lado, Avraham, o primeiro judeu, firmou do outro.
Assim têm sido os judeus desde então.
Somos uma voz contrária que se recusa a mudar a verdade em troca de popularidade. Temos protestado contra as alegações de falsos messias e profetas auto-proclamados, políticos salvadores e pretensos revolucionários.
Nós os vemos chegar e partir, e continuamos firmes no caminho de Avraham.
- A existência de um judeu hoje é um tapa na cara de todo movimento que tem buscado refutar o D’us que falou com Avraham, tirou os judeus do Egito e lhes deu a Torá.
Não importa quão distante um judeu possa estar do Judaísmo, o próprio fato de que ele ou ela se identifica como judeu é uma defesa da promessa Divina feita aos nossos antepassados, de que seus descendentes sobreviveriam e chegariam a todos os cantos da terra.
O ponto de vista judaico é impopular a princípio.
Começa com a voz solitária de uma pequena minoria. Porém com o tempo estas idéias se espalham e se tornam universais. Avraham foi um monoteísta solitário, ensinando a quem quisesse ouvir que há um único D’us que deseja que você leve uma vida moral.
Hoje, quatro mil anos depois, a maioria do mundo reza ao D’us de Avraham. Este é o poder de apenas um hebreu.
- Seja fiel ao judeu dentro de você. Seja o dissidente que escolhe a moralidade acima da popularidade.

quinta-feira

Hag Purim - A memória de Amalec

* 13 Adar II, 5768
- Durante sua pacífica marcha do Egito até o Monte Sinai, os Filhos de Israel foram, certo dia, subitamente atacados por uma tribo feroz e guerreira - os Amalequitas.
Foi uma investida covarde sobre uma nação que acabara de reconquistar sua liberdade, após séculos de escravidão e sofrimento. Com este ataque não provocado e traiçoeiro, os Amalequitas demonstraram não ter sentimentos humanos ou consideração.
- Foi como "Pearl Harbor," porém muitas vezes pior. Foi um ato de pura perversidade, como a picada de uma cobra que não fornece nenhuma vantagem à própria cobra, mas mata a vítima.
Na batalha que se seguiu, Amalec foi derrotado, mas não destruído. D'us ordenou a Israel para se lembrar daquele covarde ataque de Amalec, e na época e local apropriados varrer Amalec da face da terra. Pois não pode haver paz no mundo, enquanto se permita que os Amalequitas existam.
Amalec atacou os Filhos de Israel em Refidim, logo após eles terem "murmurado" e duvidado de D'us, dizendo: "D'us está ou não entre nós?" Este ataque ensinou-nos uma lição que, infelizmente, repetiu-se muitas vezes em nossa história. Sempre que começamos a duvidar de D'us e abandonamos Suas ordens, ali aparece "Amalec."
- Haman foi um descendente direto de Agag, o rei dos Amalequitas poupado pelo Rei Saul (porém que mais tarde foi posto à morte pelo profeta Samuel). A maior transgressão do Rei Saul foi que ele teve misericórdia sobre o líder dos Amalequitas, dando-lhe assim uma oportunidade de procriar muitos mais Amalequitas como ele próprio. Haman foi um deles, como enfatiza muitas vezes o Livro de Ester. Quando o Rei Saul falhou, seu descendente Mordechai o sucedeu. Porém, com a queda de Haman o fim dos Amalequitas não fora cumprido. Muitos Amalequitas sobreviveram até o dia de hoje, e continuam a nos criar muitos problemas. Hitler foi um dos piores Amalequitas que jamais viveram, e embora ele também, como Haman, tivesse o que mereceu, muitos menores que ele, infelizmente, ainda estão à solta.
Em Purim, durante o Serviço Matinal, lemos a Porção da Torá onde a história do ataque de Amalec é relatada (Shemot 17:8). No Shabat antes de Purim lemos uma Porção especial e adicional da Torá (Devarim 25:17) começando com: "Lembra-te o que Amalec fez a ti," e este Shabat é denominado Shabat Parashá Zachor (que significa "Lembre-se").
Por que devemos nos lembrar daquilo que Amalec nos fez? Por que não devemos perdoar e esquecer neste caso? Isso não é vingança, proibida pela Torá?
- Certamente a Torá nos proíbe a vingança: "Não deves odiar teu irmão no coração... Não deves tomar vingança, nem guardar qualquer queixa contra os filhos de teu povo, mas deves amar teu próximo como a ti mesmo: Eu sou o Senhor!" (Vayicrá 19:17, 18).
Somos proibidos de alimentar ressentimento contra nosso próximo. Somos proibidos, não apenas de ferir, insultar ou envergonhar quem quer que seja, como também de odiar qualquer pessoa em nosso coração, mesmo que não demonstremos abertamente.
"Por que, então, somos ordenados a relembrar o que Amalec nos fez? E como se não confiando em nossa natureza boa e clemente, a Torá repete a ordem outra vez: "Não se esqueça!"
De fato, não existe no mundo nação mais misericordiosa que o povo judeu, apesar do fato, ou talvez por causa dele, de que tenhamos sido perseguidos e torturados por muitos séculos, e até agora tenhamos, infelizmente, mais inimigos que amigos.
- Lembra-se da história de Samuel ibn Nagrela, o grande estadista e poeta judeu que viveu na Espanha há aproximadamente novecentos anos? Foi o vizir do Rei de Granada, e certo dia, quando acompanhava o rei em uma visita à cidade, foi amaldiçoado por um homem na presença do soberano. O rei ordenou a Samuel que punisse o ofensor cortando-lhe a língua perversa. O vizir judeu, no entanto, tratou gentilmente o inimigo, e a mesma língua que antes lançava maldições, agora tinha apenas bênçãos para o misericordioso vizir judeu. Algum tempo depois, o rei encontrou o infrator, e ficou surpreso ao ver que Samuel não o tinha punido. Quando pediu uma explicação, Samuel replicou: "Não apenas cortei fora sua língua maldosa, como também dei-lhe outra bondosa em seu lugar!"
- O sentimento de vingança, é uma paixão que está profundamente enraizada na natureza humana, e difícil de superar. Porém a Torá nos ordena subjugar esta paixão (Shemot 23:4, 5).
Nossos Sábios do Talmud ensinam que quando se encontra um inimigo e um amigo em sofrimento, deve-se primeiro assistir ao inimigo, e só então ao amigo, exatamente porque poderíamos estar inclinados a fazer o contrário. É assim que fomos treinados para ser "Os Misericordiosos Filhos do Misericordioso."
Sim, no caso de Amalec somos ordenados a lembrar o que ele nos fez, e a varrer a memória de Amalec da face da terra! A razão é que Amalec é a encarnação do mal. Jamais devemos fechar os olhos ao mal.
Nunca devemos perdoar um assassino.
Se o fizermos, o mundo não será um bom lugar para se viver. Isso nada tem a ver com vingança. É a lei elementar da sociedade humana.
Clemência a quem não a merece é pior que a crueldade.
"Não podemos reformar um assassino que tenha matado repetidas vezes perdoando-o. Ter compaixão para com ele significa ser cruel com a humanidade.
Se qualquer um pode perdoar prontamente um assassino,
não é porque seja bom e misericordioso, mas exatamente o contrário: porque ele não valoriza a vida humana. Estes são os tipos de pessoas que não erguem uma palavra em defesa da vítima desamparada, mas clamam por "misericórdia" para com o pobre, "mal-orientado" assassino."
Eis porque somos ordenados a nos lembrar o que Amalec nos fez.
- Amalec deve ser destruído, porque o mal não pode ser tolerado.
* Fonte: Beith Chabad

quarta-feira

Yanki Tauber - O Significado do Meio Shekel

* 12 Adar II, 5768
- Por Yanki Tauber – Baseado nos ensinamentos do Lubavitcher Rebe
“E o homem tomou um anel de ouro, pesando meio-shekel; e dois braceletes com dez shekels em ouro para as mãos dela.”
Bereshit 24:22
“Meio-shekel – para aludir aos shekalim ofertados pelo povo de Israel, meio-shekel por cabeça.”
Rashi, ibid.
- O primeiro casamento sobre o qual lemos na Torá é o de Adam e Eva. O casamento deles, é óbvio, foi totalmente arranjado no Céu: o próprio D’us criou a noiva, perfumou-a e enfeitou-a com jóias, apresentando-a ao noivo. O primeiro exemplo no qual a Torá relata a história de um casamento conseguido pelo esforço humano está no capítulo que descreve a procura de uma noiva para Yitschac. Aqui são detalhados os trabalhos de um shiduch convencional: um casamenteiro (o servo de Avraham, Eliezer), uma investigação sobre a família da noiva em perspectiva, o dote, o encontro inicial entre a noiva e o noivo e assim por diante.
A Torá, que muitas vezes transmite leis complexas por meio de uma única palavra ou letra, devota nada menos que 67 versículos ao casamento de Yitschac e Rivca. Muitos dos detalhes são relatados duas vezes – primeiro na narrativa da ocorrência, e uma segunda vez na conversa de Eliezer com os pais de Rivca. Aqui estamos sendo apresentados a um protótipo para orientar nossa própria abordagem ao casamento – tanto no sentido convencional como união de dois seres humanos, quanto no sentido cósmico como o relacionamento entre D’us e o homem.
* A Metade de Vinte
Um dos detalhes que a Torá inclui em sua narrativa é o fato de que um anel, com peso equivalente a meio-shekel, foi um dos presentes que Eliezer ofereceu a Rivca quando a encontrou no poço, na cidade de Rivca, em Aram Naharayim.
“Cada homem dará o resgate de sua alma a D’us… Isso eles darão: … um meio-shekel [será dado] como uma oferenda a D’us… O homem rico não dará mais, e o pobre não dará menos, que o meio-shekel…”
Por que metade de um shekel? Maimônides escreve, como uma regra: “Tudo que é pelo mérito de D’us deve ser o melhor e mais bonito. Quando alguém constrói uma casa de orações, deve ser mais bonita que sua habitação. Quando alguém alimenta o faminto, deve oferecer-lhe do que há de melhor e mais saboroso em sua mesa…" Sempre que alguém designa alguma coisa para um propósito sagrado, ele deve santificar o melhor de suas posses; pois está escrito: ‘O mais refinado será para D’us’.
Assim, em muitos casos, a Lei da Torá determina que o objeto de uma mitsvá (mandamento Divino) seja tamim, integral; um animal defeituoso não pode ser levado como oferenda a D’us, nem um etrog com defeito pode ser incluído nas Quatro Espécies levadas para a Festa de Sucot. Mesmo quando isso não é uma exigência absoluta, a lei declara que, sempre que possível, a pessoa deve se esforçar para cumprir uma mitsvá com um objeto integral. Por exemplo, é preferível recitar uma bênção sobre uma fruta inteira, ou um pão inteiro, que com uma fatia (daí nosso uso de dois pães em todas as refeições festivas e do Shabat).
Por que, então, a Torá instruiu que cada judeu contribua com meio-shekel para a construção de uma morada para D’us no acampamento israelita?
A referência repetida da Torá a esta contribuição como “meio-shekel” é ainda mais intrigante pelo fato de que nestes mesmos versículos a Torá acha necessário esclarecer que um shekel consiste de vinte guerá. Em outras palavras, a quantia que cada judeu oferecia como resgate de sua alma era dez guerot. Dez é um número que denota plenitude e perfeição: a Torá inteira está encerrada nos Dez Mandamentos; o mundo foi criado com dez Divinos pronunciamentos; D’us relaciona-Se com Sua criação via dez sefirot (atributos Divinos), e a alma do homem, formada à imagem de D’us, também compreende dez poderes. Porém em vez de instruir para dar dez guerot, a Torá diz para oferecer metade de um shekel de vinte guerot, deliberadamente evitando mencionar o número dez e enfatizando o elemento “metade” de nossa contribuição para a morada Divina em nosso meio.
* Separados ao nascer
Pois assim é a essência do casamento. Se cada parceiro aborda o casamento com um senso de seu próprio ser como uma entidade completa, eles irão, na melhor das hipóteses, conseguir apenas um “relacionamento” entre duas vidas distintas e auto-suficientes. Porém o casamento é muito mais que isso. Os cabalistas explicam que marido e mulher são os aspectos masculino e feminino de uma única alma, nascida em dois corpos diferentes; durante muitos anos eles vivem vidas separadas, com freqüência a uma grande distância um do outro e totalmente alheios à existência do outro. Porém a Divina Providência conspira para aproximá-los novamente sob a canópia nupcial e proporcionar-lhes a oportunidade de se tornarem novamente um só: não apenas um em essência, mas também um em todos os níveis – em seus pensamentos e sentimentos conscientes e na sua vida física.
"O casamento, assim, é mais que a união de dois indivíduos. É a reunião de uma alma partida ao meio, a fusão de duas vidas, que originalmente eram somente uma."
Para vivenciar esta reunião, cada um deve abordar a vida juntos não como um dez, mas como uma metade. Este meio-shekel consiste de dez guerot – cada qual deve dar o melhor de si ao casamento, devotando todos os recursos e potenciais que possui. Mas cada um deve considerar-se não como um ser completo, mas como um parceiro – uma parte procurando sua outra parte para torná-la completa novamente.
* O Santuário
O anel de meio-shekel dado a Rivca para o seu casamento com Yitschac foi o precursor do meio-shekel ofertado pelos judeus para a construção do Santuário, o lar conjugal no casamento entre D’us e o homem.
A alma do homem é “uma parte do D’us acima” – uma parte que desceu a um mundo cujo materialismo e aspecto mundano conspiram para distanciá-lo de sua fonte celestial. Portanto, até uma alma que esteja na completa posse de seus dez poderes ainda é apenas uma parte. E mesmo quando D’us manifesta plenamente os dez atributos de Seu envolvimento com Sua criação, Ele ainda está apenas parcialmente presente em nosso mundo. É somente quando estas duas partes se unem em casamento que sua integridade e plenitude originais são restauradas.
- Portanto, para construir um lar para D’us na terra, devemos contribuir com metade de um shekel de 20 guerot. Devemos nos doar totalmente a Ele, devotando todo o espectro de nossos dez poderes e potenciais ao nosso casamento com Ele. Mas mesmo quando atingimos o máximo em auto-realização em nosso relacionamento com D’us, devemos ser permeados com um senso de sermos apenas metade – com o reconhecimento e apreciação de que nós, como Ele, somos incompletos um sem o outro.
*Fonte: Beith Chabad

segunda-feira

Eliyahu E. Dessler - Um Atalho para A Teshuvá

* 10 Adar II, 5768
Por Eliyahú E. Dessler - Nos tempos difíceis e que vivemos, quando ninguém sabe o que nos reserva o amanhã, o homem não dispões do tempo necessário para curar seus males espirituais paulatinamente, como podia fazer em tempos mais felizes. Precisamos de um "atalho para a Teshuvá". Nossa situação exige um "Estojo de emergência", um remédio genérico para os nossos pecados, semelhante ao usados pelos que "Adquiriram seu mundo num só momento". Este processo é composto por quatro fundamentos essênciais a qualquer ser humano: I - Estudo da Toráh - Pois seu poder expulsa o Iétzer Haráh.
II - Estudo de Mussár - Para absorvermos uma visão verdadeira do mundo em que vivemos, como está escrito: "Com Caridade e Verdade os pecados serão expurgados".
III -Treinamento pessoal para "subjugar a vontade", ou seja: Deixar de usufruir vez por outra, de algo que estamos com vontade de consumir. - Rabenu Ioná escreveu em seu livro "Fundamentos da Teshuvá", em nome do Ravad, que subjugar a própria vontade equivale a fazer diversos jejuns no mesmo dia. Atos como este corrigem o fator que causava o pecado - o Iétzer Haráh, que é na verdade uma vontade não controlada. IV - Prática extensiva da caridade para com os pobres - Fazer caridade retifica os pecados do homem para com o seu próximo. Pra isto, é necessário agir me duas arenas - ser bondoso para com indivíduos e também fazer o bem para todo o povo de Israel. É preciso adicionar mais uma dimensão às nossas ações: A prática da caridade em nossos corações. Temos que modificar a maneira como vemos o próximo, desenvolver sentimentos de estima e estarmos prontos a compartilhar suas dores, rogando a D'us por suas necessidades. - E de que modo a prática da caridade redime dos pecados? Mencionamos acima o versículo; "Com Caridade e verdade os pecados serão expurgados". Mas temos que saber como os atos de bondade eximem o homem de seus pecados. Isto se dá de três modos: I - Se alguém fere um colega, está afirmando que tem mais valor que ele; assim deve dar algo de si para o público, para ressaltar o fato da comunidade ter mais valor que o indivíduo, o que de certo inclui o colega a quem magoou. II - Todo homem deve pensar que seus m´ritos pertencem a todo Israel; isto também é um modo de fazer o bem a toda a comunidade. III - Nada se perde nas contas dos Céus. Tudo fica registrado. O homem arca com as consequências de todos os seus atos mesmo os causados indiretamente; tudo o que faz permanece registrado. Se fizer algo que cause dor ou dano a uma amigo e tentar reparar este dano, o mal que fez ficará registrado como o fator que causou a sua Teshuvá. O mérito em prol da pessoa que sofreu com sua perda durante todo o tempo que o pecador levou para se arrepender é tão grande dentro dos "cálculos Divinos", que terá valido a pena para esta pessoa ter passado por todo o dissabor - para que seu companheiro possa fazer Teshuvá. - Agora podemos compreender a resposta de Rabi akiva à pergunta que lhe formulou Turnus Rufus: "Se vosso D'us gosta tanto dos pobres, por que não lhes dá de comer ?" A resposta de rabi Akiva foi: "Para que eles (os pobres) nos dêem méritos". (Talmud, Baba Batra, 10:a)
- Em outras palavras, o propósito da pobreza é criar oportunidades para que as pessoas pratiquem atos de bondade. Por isto, o mérito da pessoa pobre, que causou uma revelação de atos de bondade no mundo é tão grande que, pesado na balança da verdade, será infinitamente superior ao sofrimento pelo qual precisou passar para que outra pessoa o ajudasse. Isto é o que esta pessoa pobre constatará no mundo da verdade, fato este que a encherá de alegria. * Fonte: Sod HaMussar

sexta-feira

Shabat Shalom - ZEMIRÓT

* 7 Adar II, 5768
Erev Shabat

Hassidic Music - Yochanan

"Menucha vessincha or laiehudim, Iom shabaton iom machamadim, Shomrav vezochav hêma meidim, Ki leshisha col beruim veomdim. SHemê shamayim érets veiamim, col tseva marom guevohim veramim, Tanin veadam vechaiat reemim, Ki beiá Adonai tsur olamim. Hu asher diber leam segulato, Shamor lecadsho miboo ad tseto, Shabát codesh iom chemdato, Ki vo shavat micol melachto".

quinta-feira

* MASHIACH - QUEM É MASHIACH? (III)

* 6 Adar II, 5768

* Rebe Menachem Mendel Schneerson - Por que a Halachá — a Lei Judaica — declara que Mashiach precisa ser um homem? Trata-se de uma boa pergunta, mas uma pergunta incompleta. Podemos também indagar por que Mashiach precisa ser um sábio em todas as facetas do conhecimento judaico. Afinal de contas, a maioria dos governantes não é formada por eruditos.
E existem outras restrições: a Halachá também afirma que Mashiach não pode ser um Cohen — um descendente da família de Aarão. Mashiach não pode ser da tribo de Levi — ou de qualquer tribo exceto Judá. Mesmo dentro da tribo de Judá, há restrições. A Lei Judaica declara que Mashiach precisa ser descendente de um homem — o Rei David, em linha direta, de pai para filho.
É claro que a lei que determina quem pode ser Mashiach tem base diferente das leis civis de uma sociedade moderna. As leis e os regulamentos de um país democrático moderno têm uma finalidade específica — criar uma sociedade equilibrada. Desta maneira, as pessoas podem perseguir suas metas pessoais sem prejudicarem a comunidade. Em tal contexto, excluir as mulheres — ou qualquer grupo ou pessoa, por estas razões — de certas atividades, parece ser apenas uma tentativa de manter o poder ou tomá-lo de outros. Naturalmente, isto é tido como injusto.
Mas a Torá tem um fundamento diferente. As leis da Torá não servem à busca pelo poder de uma pessoa ou de um grupo: elas não equilibram interesses conflitantes. As leis da Torá provêm de D’us, e ajudam toda a humanidade a cumprir o propósito de D’us, um propósito espiritual.
De acordo com a Torá, toda a humanidade partilha o mesmo propósito, qual seja, criar um mundo onde toda ação — coletiva e pessoal — revele a Divindade dentro da criação. Para atingir esta meta, cada pessoa tem uma tarefa específica, definida por D’us e determinada, em parte, por condições que estão além de seu controle, tais como as circunstâncias de seu nascimento.
- As leis da Torá — o registro da Vontade de D’us — estabelecem a missão de cada indivíduo. Algumas tarefas são determinadas pelo gênero, outras pelo fato de ser judeu ou não, algumas pelos ancestrais de uma pessoa. Todos são criados com as características tanto de um grupo como com capacidades individuais. A combinação destas características possibilita que cada pessoa cumpra uma única atribuição, algo que ninguém mais pode fazer. É-nos dada a capacidade de cumprirmos nossa missão, mas apenas porque também são-nos dadas diferentes capacidades, como pessoas e como grupos.
É importante lembrar que a Torá ensina que cada pessoa é absolutamente necessária para o cumprimento do plano Divino, que não somos apenas indivíduos visando a consecução de nossos desejos ou necessidade de poder. Todo ser humano foi criado como parte de uma equipe, cada qual com uma tarefa ímpar sem a qual a meta não pode ser atingida. Se bem que nossas tarefas espirituais, e, por conseguinte, nossas capacidades espirituais, sejam diferentes — assim como as capacidades e os papéis dos membros de uma equipe são diferentes — somos todos iguais aos olhos de D’us, porque se não fizermos o que D’us quer, o mundo não poderá ser repleto de Divindade.
Neste sentido, as restrições quanto a quem possa ser Mashiach não são tão importantes assim, porque sem todos nós juntos, Mashiach não pode ser revelado como Mashiach. E quando formulamos perguntas hipotéticas sobre a Torá, não existe mesmo uma resposta, porque a Torá é a sabedoria de D’us, e não a nossa. Assim, não dá mesmo para entendermos por que D’us decidiu que Mashiach precisa ser um rei, assim como também não podemos compreender por que somente um Cohen pode realizar o serviço dos sacrifícios e por que D’us deu a cada um de nós o ambiente e as capacidades que temos.
Mas sabemos, sim, que Mashiach não é só um líder, ele é uma pessoa com uma específica capacidade espiritual sem igual, achada somente em uma pessoa numa geração inteira. Parte das qualificações para esta capacidade incluem ser um rei, semelhante ao rei ideal da história judaica, o Rei David. E sabemos também que a vinda de Mashiach depende de cada um de nós e de percebermos quais são nossos talentos espirituais exclusivos.
* Fonte: Ad Matai!

terça-feira

Rabi Shimon Wiggins - Ataque Gratuito

* 4 Adar II, 5768
- por Rabi Shimon Wiggins - Examinando o primeiro confronto entre o povo judeu e a nação de Amalec (Shemot 17:8-16) sobre o qual lemos em Shabat Zachor nesta semana que antecede Purim, duas perguntas básicas nos vêm à mente. Primeira, por que Amalec atacou os Filhos de Israel sem provocação? O versículo simplesmente relata que Amalec atacou os Filhos de Israel num local chamado Refidim, mas o que motivou este ataque? Segundo, por que eles mereceram esta súbita punição?
A primeira pergunta é respondida pelo Midrash, que compara o povo judeu a uma banheira de água fervente. Assim como ninguém ousa pular num recipiente de água fervente por medo de ser escaldado até a morte, assim também os judeus eram aparentemente invencíveis após seu milagroso êxodo, quando então as nações do mundo reagiam a eles com temor e respeito.
Ninguém ousava atacar o povo que tinha D’us a seu lado – exceto Amalec. Certa vez ele atacou, e embora tenha perdido, deram um jeito de esfriar a água para que outras nações também pulassem dentro sem medo de ser queimadas.
O que deu a Amalec a força para nos atacar? Rabi Yitschac Hutner desenvolve a resposta à primeira questão de outro Midrash, que compara Amalec a uma pessoa que zomba e ridiculariza tudo na vida. Uma personalidade assim procura toda oportunidade de minar e diminuir o que é importante e valioso na sociedade.
- As Dez Pragas, a Abertura do Mar Vermelho, a destruição do Egito, o maná caindo do céu – todos estes eventos que haviam criado um senso de reverência e trepidação nas outras nações em relação aos judeus, fazendo a água da banheira mais e mais quente, apenas aumentou o desejo de Amalec de ser o primeiro povo a pular dentro. Para Amalec esta banheira fervente de grandeza, espiritualidade e nobreza tinha de ser esfriada, independentemente das conseqüências.
Voltemos agora a nossa segunda questão. Por que os judeus mereceram ser atacados por Amalec?
A chave para entender esta falha específica é o nome da localidade onde Amalec atacou-nos – Refidim. Embora num nível simples este nome seja meramente uma localização geográfica, o Midrash nos diz que é um acrônimo para "rafu y'dayhem min haTorah – as mãos do povo judeu foram fracas no seu apoio à Torá."
O que significa esta expressão?
O termo costumeiro para a falta de estudo de Torá é bitul Torah, negligenciar o estudo de Torá. Qual é então a idéia por trás de dizer que suas mãos eram fracas no seu apoio à Torá?
- Rabi Yitschac Hutner explica que esta expressão refere-se a uma fraqueza em reconhecer e apreciar a importância e relevância da Torá em nossa vida. Quando deixamos de perceber como a Torá é vital para nossa própria existência e para a existência do mundo inteiro, estamos convidando Amalec a entrar em nosso meio.
Não apenas devemos estar preocupados com o quanto de Torá aprendemos, mas também com quanto valor e importância atribuímos à Torá que estudamos.
* Percebemos que a Torá é sabedoria Divina?
* Percebemos que a Torá sustenta o mundo inteiro?
* Percebemos que a suprema perfeição do mundo apenas pode chegar através da Torá?
Que D’us nos ajude a aumentar nosso tempo de estudo de Torá e a avaliar sua verdadeira e ilimitada grandeza.

sexta-feira

Chana Weisberg - O Rosto de um Herói

* 30 Adar I, 5768
Erev Shabat
- por Chana Weisberg - Roi Klein. Um nome que até alguns dias, nada significava para mim. Era um completo estranho, sobre quem eu jamais ouvira falar e a quem nunca encontrara. Porém uma imagem dos últimos segundos de sua vida não saem da minha mente. Roi era um filho. Era um irmão, Era marido de Sara e pai de Gilad, com três anos, e Yoav, com um aninho. Mas acima de tudo, Roi foi um herói para todos nós. Foi um rosto e um nome junto com os muitos heróis judeus no decorrer das gerações.
O funeral de Roi foi na quinta-feira 27 de julho, o dia que teria sido seu 31º aniversário. Major Roi Klein era o soldado encarregado da Brigada Golani, Foi morto na quarta-feira dia 26, numa emboscada entre as casas de Bint Jbail, uma aldeia ao sul do Líbano. Os terroristas do Hesbolá assassinaram oito soldados, incluindo Roi, e feriram quase duas dúzias deles.
Havia mais dois soldados perto de Roi. Uma granada de mão foi jogada sobre eles e Roi gritou: "Granada!" Atirou então seu corpo sobre ela, sacrificando a vida em prol dos seus soldados, que mais tarde atribuíram o fato de estarem vivos ao seu ato de desprendimento.
Em seus últimos segundos de vida, Roi reuniu a coragem para gritar "Shemá Yisrael", a prece que os judeus têm rezado há séculos, declarando nossa crença em D'us e num mundo melhor; a prece que tantos mártires judeus em todas as gerações clamaram ao serem levados para a morte. Minha mente não consegue parar de imaginar como devem ter sido aqueles últimos segundos de sua vida, quando Roi tomou a decisão instantânea de saltar sobre a granada. Imagino Roi vendo sua querida família com os olhos da mente – sua esposa e os dois filhos pequenos, que agora crescerão conhecendo-o apenas através das histórias contadas sobre ele ou por fotografias.
Imagino Roi pensando sobre o sofrimento de seus pais idosos; a mãe, Shoshana, cuja voz falhou ao gritar sobre o túmulo do filho:
"A dor é insuportável…
Cuidaremos das crianças e as criaremos segundo o seu exemplo…"
E imagino Roi vendo a colônia Eli numa colina na Margem Ocidental, onde ele e a esposa com idealismo fizeram seu lar, apesar daqueles que desejavam derrubá-la. Foi por estes entes queridos que Roi serviu nas unidades especiais da Brigada Golani e Tropa de Paraquedistas. Foi por eles, e pelos ideais representados pela prece Shemá Yisrael, que Roi corajosamente alistou-se no Serviço Militar, avançando até o ponto em que logo teria sido promovido a comandante do batalhão.
Que enorme contraste entre Roi e seu inimigo.
Roi estava lá para assegurar a existência pacífica do seu povo em seu país. Estava lá para proteger as vidas inocentes de seus filhos e sua nação. Para assegurar que as pessoas poderiam viver em seus lares com paz e tranqüilidade. Para garantir que eles poderiam continuar suas atividades do dia-a-dia. Atividades como comprar num shopping center sem ser explodido em pedaços, fazer uma refeição em família numa pizzaria sem se preocupar com estilhaços voando, rezar numa sinagoga sem ter de correr para um abrigo anti-bombas, ou colocar os filhos num ônibus escolar sem se preocupar com balas atingindo o veículo.
"Roi estava lá para defender seu povo contra aqueles que juraram destruí-lo."
Até em sua morte, ele sacrificou a própria vida para assegurar que dois companheiros pudessem viver. Em minha mente, consigo visualizar também seu inimigo. Está lá para causar o máximo de morte, destruição e devastação que puder. Está ansioso para enviar seus jovens com cintos recheados de bombas e pregos em missões "suicidas", desde que ao morrerem consigam assassinar também o máximo possível de judeus. Ele está lançando foguete após foguete em cidades judaicas densamente povoadas para que hospitais que cuidam dos doentes, além de casas para idosos, sejam destruídos juntos com a vida daqueles ali dentro.
O inimigo de Roi estava disposto a morrer para levar morte e luto na maior escala possível; Roi estava disposto a morrer para garantir vida e liberdade para outros, para preservar um mundo no qual judeus possam rezar a D'us nas sinagogas, cumprir os mandamentos Divinos e tornar nosso mundo um lugar melhor, mais moral e mais consciencioso.
Esta é a terceira vez nesse último século que o povo judeu se encontra na linha de frente contra aqueles que buscam sua aniquilação.
Para os nazistas, o judeu era uma raça impura a ser exterminada como insetos. Para os comunistas soviéticos, a religião judaica era um espinho no flanco, e devia ser erradicada. E para os extremistas islâmicos, os judeus e seu país devem ser eliminados da face da terra.
Menos de um século se passou desde que os judeus caíram no gulag soviético com o Shemá nos lábios pelo mero "crime" de observar casher ou guardar o Shabat em suas casas. Pouco mais de meio século passou desde que o eco do Shemá ressoou nas câmaras de gás nazistas, onde judeus foram asfixiados e depois queimados nos crematórios apenas porque nasceram judeus. E agora Roi Klein seguiu o caminho desses mártires, morrendo com o grito de Shemá nos lábios no ato de defender seu povo daqueles que, mais uma vez, desejam destruí-lo.
* Roi não é um estranho, afinal. Ele é marido, filho e irmão nosso. Sua face é o rosto de cada um dos nossos heróis e mártires.

terça-feira

Shem - Força Vital

* 27 Adar I, 5768
- O Talmud afirma (Berachot 7b):
"Como sabemos que o nome da pessoa causa [eventos em sua vida]? Diz a Escritura: 'Vai e vê as obras do Eterno, que pôs destruição (shamot) sobre a terra.' Não leia shamot (destruição), mas shemot [nomes].
- Maharsha explica:
“Não podemos atribuir ao Eterno atos maus tais como destruição, portanto, os Sábios interpretam a palavra shamot como shemot, significando que as obras de D’us são atraídas para baixo por meio do nome da pessoa e assim, o nome é a causa.”
Mais uma vez, no Talmud, encontramos que R. Meir faria deduções [sobre uma pessoa] a partir do nome, mas R. Yehudah e R. Yosse nada deduziriam. Em outro local, R. Yitschak declara: "Os espiões [enviados por Moshê à Terra de Israel] tinham nomes que refletiam suas ações."
A noção de que o nome de uma pessoa nos informa a respeito de suas ações e caráter aplica-se não apenas a indivíduos, mas sobre a geração como um todo. Assim, o nome do Profeta Yermiyáhu indica que em seu tempo o Bet Hamicdash tornou-se arimon [vago], ou que em seu tempo um severo julgamento foi nisromema (despertado; as duas palavras compartilham letras comuns com seu nome]. Isso é confirmado no Zohar, onde o nome de Yermiyáhu (que predisse punição) está contrastado com aquele de Yeshayáhu, cujo nome (significando 'resgate de D’us") causou nossa redenção, e a restauração da Divina Luz a seu lugar de direito.
* Sefer Chassidim e Sefer HaBahir também nos advertem sobre nomes. Midrash Tanchuma comenta o versículo: "Lembra-te dos dias do mundo, entende os anos de cada geração" – a pessoa deveria sempre examinar nomes históricos, e escolher para seu filho um nome que o fará tornar-se um tsadic. Assim, vemos que o nome de uma pessoa indica os traços de caráter que ela provavelmente possuirá. A partir desse nome, podemos adivinhar que tipo de pessoa é, e como são suas ações.

- R. Yosef Karo escreve em Maguid Meisharim que alguém chamado Avraham tende a realizar atos de bondade, uma pessoa chamada Yossef é forte para resistir a tentações sexuais ilícitas, ou então alimenta e apóia os outros, como fez Yossef, que alimentou e apoiou seu pai e irmãos. A Escritura diz: "Naval é seu nome, e abominação (nevala) combina com ele." É isso também que Essav queria dizer quando afirmou: "Seu nome é Yaacov por nada? De fato, ele se afastou (vayaakeveim) de mim duas vezes."

* O Midrash Tanchuma declara que se nossa geração tivesse merecido, o próprio Eterno teria dado a cada indivíduo seu nome, e a partir de seu nome conheceríamos assim seu caráter e suas ações.

- O Nome da Pessoa é Sua Força Vital
Está declarado nos sagrados livros que o nome pelo qual uma pessoa é chamada constitui sua alma e sua força vital. Isso significa que quando a alma habita o corpo, extrai vida para si por meio do nome, através de uma junção correta das letras. É explicado no Tanya, cap. 1 de Shaar HaYichud VehaEmunah, que para todas as coisas criadas no universo, o nome hebraico pelo qual são chamadas constitui – depois de progressivos estágios de descida evolutiva – o discurso literal dos Dez Pronunciamentos pelos quais o mundo foi criado. Esta descida ocorre por meio de sucessivos intercâmbios e ajuntamentos de letras nas 231 permutações, até que finalmente elas se incorporam à pessoa, para dar-lhe vida.
- Um nome tem duas características opostas.
Por um lado, o nome está associado com a alma. Assim, quando chamamos alguém por seu nome, despertamos sua força vital. Isso aplica-se não somente ao nome próprio, mas também a um nome descritivo – quando chamamos alguém de "sábio", despertamos suas faculdades intelectuais; quando o chamamos de "misericordioso", despertamos sua piedade. Portanto, os discípulos de R, Shimon bar Yochai pronunciavam louvores a ele, para que isso despertasse os grandes poderes de seu mestre, que ele partilharia com eles. Tudo isso aplica-se muito mais ainda ao nome próprio, pois este desperta não apenas os poderes individuais, como também toda a alma.
Por outro lado, sabe-se que todo o propósito de um nome é para o uso de outros, para que outra pessoa possa chamá-lo, e ele saberá que está sendo chamado. Mas para si mesma, a pessoa não precisa de nome; qual a utilidade do nome para alguém que mora sozinho? Assim, parece que o nome não está conectado com sua essência ou força vital, mas foi meramente estabelecido por convenção.
A solução desse paradoxo é que o nome da pessoa é como a sefirá de Malchut: apenas um raio (ziv) que nada possui em si mesmo, mas está radicado em sua fonte original. Por este motivo, tem estas características opostas.

domingo

Tzvi freeman - O Judaísmo não é Ortodoxo

* 25 Adar I, 5768
* por Tzvi Freeman - Caro Rabino,
Estou numa enrascada. Gosto do Shabat. Gosto da Torá – especialmente histórias chassídicas e aquele lance de Cabalá. Sinto uma forte ligação com o povo judeu. Sinto-me atraído por tudo isso. Portanto, diria você, qual é o meu problema? Apenas vá em frente, certo?
Mas eu não posso. Não consigo imaginar-me sendo ortodoxo. Olhe para mim. Veja como eu fui criado, de onde eu vim, onde estou agora. Você consegue imaginar um não-conformista como eu seguindo todos os regulamentos de um judeu ortodoxo, estritamente casher?
Assinado
Judeu Não-Ortodoxo.
- Resposta:
Caro Não-Ortodoxo,
Finalmente, um homem com a minha persuasão! Não-ortodoxo! Ora! O termo mais descritivo que já ouvi para o verdadeiro Judaísmo! A crença de que nada é da maneira que deveria ser, que tudo no mundo precisa mudar, que temos de ser diferentes de todo o mundo. É isso que os judeus são – recalcitrantes, insurgentes, os revolucionários chatos da história – e o que poderia ser mais não-ortodoxo que isso?
O Judaísmo não começou com o paradigma de todos os iconoclastas? Imagine Avraham esmagando os ídolos na casa de seu pai, desafiando o Rei Nimrod e todas as normas sociais. Imagine Moshê desafiando o faraó, ou Rabi Akiva e os Sábios desafiando o poderoso Império Romano. Você descreveria isso como comportamento "ortodoxo"?
Ser judeu é rebelar-se. Recusar-se a atender o telefone no Shabat é uma rebelião contra a tecnocracia. Manter-se casher é uma rebelião contra o consumismo. Levantar-se cedo pela manhã para embrulhar-se num grande xale branco, torcer correias de couro e caixas sobre o braço e a cabeça, juntar-se a outros em fórmulas místicas e ler de um rolo antigo – é uma franca rebelião contra tudo que é considerado normal na vida moderna.
Você conhece a história do rabino que ficou de pé na rua procurando a décima pessoa para seu minyan? Finalmente, encontrou um judeu. Mas o homem tentava despachá-lo, dizendo: "Não faço parte da religião organizada."
"Se isso fosse religião organizada" – exclamou o rabino – "por que cargas d'água eu estaria na rua incomodando os passantes?"
* Os judeus já foram ortodoxos?
Já houve um tempo em que nossas opiniões e comportamento eram considerados normais? O faraó pensou que éramos loucos porque exigimos direitos trabalhistas. Os romanos pensaram que éramos loucos porque não nos desfazíamos de crianças defeituosas. A Igreja pensou que éramos perversos porque não nos rendemos à fé da maioria. Os racionalistas pensaram que éramos românticos por causa de nosso misticismo e os românticos nos consideraram obtusos por nosso racionalismo. As Nações Unidas resolveram que os judeus são estranhos, simplesmente porque insistimos em continuar existindo. Enquanto isso, todos terminaram adotando nossa opinião – e mesmo assim permanecemos como uma anomalia entre os povos. É simplesmente demais para que os outros nos entendam.
Parafraseando o Lubavitcher Rebe, o Judaísmo jamais pode ser chamado de fora-de-moda – porque, para começar, jamais esteve na moda.
Portanto, quem foi que inventou esta incongruência, "Judaísmo Ortodoxo"?
Vou lhe dizer: Há duzentos anos, quando o Imperador Napoleão decidiu que era o verdadeiro messias e os judeus deviam ser libertados, designou vários líderes da comunidade judaica para formar um Sanhedrin de rabinos e eruditos, exatamente como tinha ocorrido na Antiguidade. Assim homenageados, eles começaram a convencer seus companheiros a se juntar a eles. Afinal, Napoleão era a onda do futuro. Isso era o progresso.
Porém alguns rabinos não achavam que aquilo era progresso. Napoleão, um messias? E Paris é Jerusalém, certo? Portanto, eles não aceitaram. E por esta teimosa recusa em entender como eles eram atrasados e bitolados, foram rotulados: vocês… vocês… vocês são RABINOS ORTODOXOS!
"Somos ortodoxos mas não somos loucos" – replicaram eles – "mas o homenzinho com a mão dentro da camisa não é o messias!"
É mais ou menos como os hippies, que começaram chamando-se de "excêntricos". Algum proprietário rural em Woodstock olhou para estes jovens americanos e cuspiu aquele epíteto em frente das câmeras. E daí, disseram eles, qual o problema? E passaram a se chamar de excêntricos.
- No jargão moderno, o termo "Ortodoxo" passou a designar aqueles de nós que não alteram a Torá somente para que ela se encaixe melhor naquilo que todos estão fazendo. Neste sentido, eu definitivamente me incluo entre os "ortodoxos". Mas com certeza não me sinto ortodoxo. Deveria? Há algo mais que o Lubavitcher Rebe declarou: "Etiquetas são para camisas." Tudo bem, há outras coisas que podem levar rótulos. Por exemplo, Templos Reformistas, Sinagogas Conservadoras, Reconstrucionista de Pine Groves. Mas os judeus que você encontrará nestes locais têm todos apenas uma etiqueta: Judeus. Porque "judeu" não é apenas um termo referente a comportamento. É um estado essencial de ser.
Não é onde você está, mas de onde você faz parte.
Portanto, se alguém lhe pedir para descrever os três tipos de judeus que existem atualmente, responda da seguinte maneira:
Há três tipos de judeus:
* Judeus que cumprem mitsvot.
* Judeus que cumprem mais mitsvot.
* Judeus que cumprem mais mitsvot ainda.
E é disso que se trata, porque um judeu mal pode respirar sem cumprir uma mitsvá.
E quanto ao problema que você tem com o jugo de fazer isto e não fazer aquilo… não é bem assim. Para principiantes, o sistema todo já está codificado em seu DNA. É o estado natural de um judeu, por exemplo, fazer o encantamento pela manhã. É por isso que somos tão chatos. Assim podemos reclamar a Ele três vezes ao dia. Se não o fizermos corretamente, terminamos reclamando o dia inteiro. Uma vez que temos horários estabelecidos, podemos ficar livres disso e fazer outras coisas pelo restante do dia.
"O mesmo quanto ao Shabat, manter-se casher, micvê – todas as práticas que os judeus têm cultivados em suas almas por mais de três milênios. Tudo que se precisa fazer é despertar aquela alma judaica com um pouco de Torá, alguns belos contos chassídicos e um par de doces melodias, e tudo se torna vivo e faz sua parte. Espontaneamente. Com alegria."
Você pode chamá-lo de "Judaísmo sem esforço".
Melhor ainda, não chame por nome algum. Exceto, talvez, bastante não-ortodoxo.