sexta-feira

A Mulher no Judaísmo

* 17 Sivan, 5768
Erev Shabbat
- Beit Chabad
* Preconceitos e Mitos
"Qual é o papel da mulher no judaísmo, além de criar os filhos segundo a orientação da Torá?
Como o judaísmo vê a mulher?
O que fez de Débora juíza sobre o nosso povo em uma época em que a mulher não podia ocupar nenhum cargo de liderança?"
- Primeiramente, gostaria de fazer algumas perguntas: por que é que a Torá louvaria e descreveria histórias de várias mulheres que lideraram e foram exemplo no povo judeu, como Miriam, Débora e Yael, se sua função fosse apenas criar filhos? Se seu papel fosse apenas em casa, porque seria mencionado um "mau exemplo" de envolvimento com a comunidade?
Porque é que no judaísmo, mesmo os homens mais elevados são considerados incompletos até que não se casem e unam-se a uma mulher?
Porque há tantas leis na Torá referentes ao casamento que considerem a mulher, entre as quais a de que o consentimento da mulher é imprescindível para que possa haver uma união, e a que obriga um homem a conceder o divórcio a sua esposa, caso seja essa a vontade dela?
A resposta para estas e muitas outras perguntas é: o judaísmo é igualitário, tanto os homens quanto as mulheres têm a mesma importância e são imprescindíveis para nosso povo.
O que existe é o preconceito do preconceito.
Infelizmente, é comum ouvir por aí que no judaísmo existe preconceito contra mulheres. Muita gente acha, que o fato das mulheres sentarem na sinagoga atrás de uma mechitsá (elemento físico utilizado como divisória em um ambiente que serve para separar entre homens e mulheres), e de não cumprirem certas mitsvot, as torna "segunda categoria". Se descobrissem e pesquisassem os verdadeiros motivos, certamente mudariam completamente de opinião.
Estes são os argumentos de quem olha de fora, superficialmente.
Porém, pergunte a uma mulher religiosa, e ela responderá: não é nada disto! O judaísmo é uma construção, precisa de arquitetos, pedreiros, pintores, decoradores.
Todos são igualmente imprescindíveis. Cada um tem sua função, e se não for ele, ninguém a fará. Não adianta dar um pincel na mão do pedreiro, ou uma pedra na mão do pintor. Da mesma forma, o homem e a mulher receberam as mitsvot e funções necessárias para efetuar sua parte na construção e se completarem nesta tarefa.
* Mitsvot são meios de chegar a D'us.
"Uma mulher não precisa ser chamada na Torá ou ser chazan, porque, neste aspecto, já está próxima a D'us. Já o homem necessita destas mitsvot para alcançar a proximidade que está lhe faltando."
A mulher é chamada de "Akeret Habayit" - a fundação do lar. É ela que tem a capacidade e as características de segurar uma casa. Devemos estar conscientes do grande mérito que é esta função, já que, analisando bem, toda a base da sociedade e de cada indivíduo está em sua casa. Seu principal investimento é em sua família, sim, mas não pelo falso argumento dela ser inferior ou incapaz de fazer outra coisa.
É justamente pela importância e delicadeza desta "mini empresa", que exige a astúcia e o toque de uma mulher. Porém, tendo em mente a importância e a proporção certa das coisas, nada impede que uma mulher exerça também outras funções, que esteja envolvida com a sociedade. E mais, se possui talentos e dons, estes lhe foram dados para usá-los.
"Se D'us as deu, porque deveria abrir mão de suas habilidades?"
Nenhum rabino dirá que a mulher é apenas uma reprodutora e deve ficar trancada em casa. Talvez quem diga isto é a mídia de pessoas preconceituosas, discursos e filmes que deturpam o sentido do judaísmo e danificam a sua imagem. Devemos sempre procurar o verdadeiro porque e como das coisas com quem realmente lida com elas, e nos livrar dos preconceitos que acabam penetrando na nossa maneira de pensar e ver as coisas.
* Mitsvot especificas? O propósito da mitsvá é a avodá, que significa trabalho ou serviço, e o propósito da avodá é tornar o mundo um lugar melhor e fazer de si mesmo uma pessoa melhor.
As mulheres têm menos obrigações porque são conectadas de maneira diferente dos homens; possuem um progresso espiritual embutido. Os homens precisam usar kipá sobre a cabeça para lembrarem que D’us está acima deles. As mulheres não, porque elas têm a presença de D’us já incorporada em seu projeto espiritual.
Devido à sua elevada sensibilidade, as mulheres, e não os homens, são ideais para ensinar, nutrir, criar e educar os filhos. As mulheres estão isentas de muitas mitsvot positivas (como tefilim, que são colocados durante o dia) entre outras ligadas ao tempo.
* Há três mitsvot exclusivas que tratam da essência feminina.
I - Separar a massa
Na época dos Templos Sagrados era obrigatório doar parte de qualquer massa aos cohanim. Eles serviam no Templo como representantes de todo o povo judeu, e portanto mereciam remuneração. Atualmente, esta forma de doação continua em Hafrashat Chalá, deixar de lado uma parte da massa que você faz. Como o Templo não está de pé hoje, a massa designada é queimada.
II - Acendimento das velas
Talvez a mais importante das mitsvot femininas seja acender velas no Shabat e Yom Tov, Dias Festivos. As velas são símbolos da luz interior, da harmonia, da paz, da tranqüilidade no lar. É por isso que há um cotume de se acender uma vela para cada membro da família, acrescentando mais luz a cada nascimento. A mulher é o eixo ao redor do qual gira o mundo familiar, e no Shabat ela recebe todas estas bênçãos.
III - Taharat Hamispachá – Leis da Pureza Familiar
É privilégio da mulher casada preservar a santidade do lar por meio da imersão mensal nas águas purificadoras do micvê. A mulher é o conduíte através do qual a pureza é canalizada a toda a família.
Obs: Embora acender velas de Shabat e separar a chalá sejam mitsvot basicamente femininas, na ausência de uma mulher um homem deve cumprir estes mandamentos. * Mitsvot obrigatórias Uma mulher deve cumprir todos os mandamentos negativos (os "não faças") mas somente os mandamentos positivos ("faças") que não envolvem tempo específico - 1 para seu cumprimento. Em outras palavras, uma mulher é obrigada a colocar uma mezuzá em sua porta, mas está isenta de ter que sentar em uma Sucá durnate a Festa de Sucot - 2 (mas pode assim fazê-lo, e estará cumprindo a mitsvá, se esta fôr a sua vontade) - 3.
Há muitas exceções a esta regra (por exemplo, uma mulher é obrigada a comer matsá durante Pêssach).
* Notas:
1. Talmud Kiddushin 34a.
2. Há certas mitsvot que são cumpridas em um tempo específico que as mulheres tradicionalmente aceitaram sobre si a obrigação de também observá-las; como a obrigaçnao de escutar o shofar em Rosh Hashaná.
3. Há no entanto outras que dependem de tempo como colocação de talit e tefilin as quais as mulheres são desencorajadas a cumprir. * Fonte: Beit Chabad